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Sem Medo de Morrer

Sem Medo de Morrer (The Life Before Her Eyes) - 2007. Dirigido por Vadim Perelman. Escrito por Emil Stern, baseado no romance de Laura Kasischke. Direção de Fotografia de Pawel Edelman. Música Original de James Horner. Produzido por Vadim Perelman, Aimée Peyronnet e Anthony Katagas. 2929 Productions / USA.


A despeito da opinião da crítica especializa, eu tenho que afirmar que Sem Medo de Morrer (2007) é um no mínimo um bom filme. Quando estreou com Casa de Areia e Névoa (2003), o diretor ucraniano, radicado nos Estados Unidos, Vadim Perelman conquistou respeito e muitos elogios, com um ótimo roteiro, excelentes atuações e uma direção precisa, seu primeiro filme arrebatou cinéfilos e críticos pelo peso e densidade de sua trama, mas esta é uma história para um outro post, o assunto de hoje é tão somente o seu segundo longa metragem. Sem Medo de Morrer não alcança o mesmo nível de qualidade de seu antecessor, mas isso não o torna um filme ruim. Se comparado a tanta coisa de qualidade duvidosa, que a crítica ovaciona de pé, eu até diria que ele é uma obra prima, no entanto a sensação que fica é a de que Perelman era capaz de ir ainda mais longe.

Penso que o que pode ter decepcionado parte do público que o assistiu tenha sido o ritmo no qual a história é desenvolvida, o filme sofre constante oscilações, indo da mais contemplativa lentidão ao mais visceral suspense em questão de segundos. Os mais desatentos não compreenderão a importância de algumas cenas e de alguns pequenos detalhes, mas são estes que no final das contas fazem toda a diferença. O filme é permeado, desde as primeira sequências até o final, por um sentimento pesado e doloroso, uma angústia que anuncia um final trágico, no entanto já conhecemos de antemão o desfecho, o que nos surpreende é a forma com que é feita a conclusão da história e é aí que está a melhor sacada do filme. Vou parar por aqui para não correr o risco de contar mais detalhes e assim diminuir de alguma forma o impacto causado pela obra.


Vamos então à sinopse: Diana (Evan Rachel Wood) é uma colegial que está vivendo uma espécie de rito de passagem para a vida adulta, ela é imediatista, insubmissa e está se afundando em um mergulho hedonista que inclui sexo e experimentação de drogas. Tudo isso que pode ser apontado como rebeldia, no caso dela é apenas imaturidade, ela não sabe o que quer para sua própria vida e a falta de um norte e de uma base não a incomoda nem um pouco. Sua melhor amiga Maureen (Eva Amurri) não poderia ser mais diferente dela, esta sabe o que quer para seu futuro, é responsável e não se deixa se levar pelas “maluquices” da amiga. Apesar da diferença de comportamento gritante, elas são inseparáveis na escola e fora dela. Elas estão prestes a terminar o ensino médio, quando algo acontece na escola.


15 anos se passam desde aquela primavera que anunciava a proximidade das férias de verão, somos então novamente apresentados para Diana (agora interpretada por Uma Thurman), ela se tornou professora de artes, se casou e teve uma filha, chamada Emma (Gabrielle Brennan), cujo comportamento lembra muito o seu quando era adolescente. Diana está angustiada com a proximidade da data na qual completariam 15 anos do ocorrido na escola, que mudara completamente o rumo de sua vida. Ela se mostra então mais frágil do que aparentava ser, ela passa a ser consumida pelo remorso do que acontecera em sua juventude. Ninguém a sua volta parece compreender a sua dor, nem o mesmo seu marido, que tem se tornado cada vez mais distante. A culpa e a pressão que ela impõe sobre si a faz perder em alguns momentos a noção de realidade, mas tudo pode ser apenas um ponte de vista, ou a vida passando diante dos olhos...


O filme possui um roteiro não linear que oscila entre o presente (Diana adulta) e o passado (Diana adolescente), a transição entre os espaços de tempo é bem feita, ponto para a montagem do filme. No entanto, visualmente, o que mais chama a atenção é a belíssima fotografia, Pawel Edelman o diretor responsável explora muito bem a luz solar e a iluminação natural, o que faz toda a diferença em locações abertas ao ar livre e mesmo em aposentos onde os raios de sol invadem trazendo ao ambiente uma claridade quase melancólica. Os pequenos detalhes como um minúsculo inseto sobre uma folha, ou a pétala em uma flor são meticulosamente fotografados, estes pequenos detalhes são crucias para que o filme seja, não só compreendido, mas também sentido pelo expectador.


Eu já vejo a Evan Rachel Wood como uma das melhores atrizes da nova geração de Hollywood, ela realmente tem talento, já Uma Thurman dispensa qualquer comentário, ambas estão muito bem no filme e conseguem dar consistência a personagem que interpretam (destaque também para semelhança física criada entre elas), Gabrielle Brennan também não faz feio e o elenco secundário, com algumas exceções, não deixa a peteca cair. Definitivamente não consigo apontar nenhum aspecto negativo tão significativo que justifique as tantas criticas ruins que o filme recebeu. Ele pode não ser um filme memorável nem uma obra prima, mas é sem dúvidas um filme que compensa ser assistido, principalmente pela contemporaneidade de alguns temas nos quais ele toca. Se tiver alguma oportunidade de vê-lo não a perca. Recomendo!


Assista ao trailer de Sem Medo de Morrer no You Tube, clique AQUI !


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